{"id":683,"date":"2016-11-30T18:04:29","date_gmt":"2016-11-30T18:04:29","guid":{"rendered":"http:\/\/pesquisaemdor.com.br\/?p=683"},"modified":"2016-11-30T18:06:05","modified_gmt":"2016-11-30T18:06:05","slug":"mudar-nosso-proprio-comportamento-terapeutico-e-mais-dificil-do-que-mudar-o-comportamento-dos-nossos-pacientes","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/pesquisaemdor.com.br\/?p=683","title":{"rendered":"Mudar o nosso pr\u00f3prio comportamento (terap\u00eautico) \u00e9 mais dif\u00edcil do que mudar o comportamento dos nossos pacientes"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: justify;\">O modelo biom\u00e9dico n\u00e3o \u00e9 suficiente para explicar a dor cr\u00f4nica. Embora muitos cl\u00ednicos tenham adotado uma nova forma de pensar e apliquem uma vis\u00e3o biopsicossocial ampla em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 (pacientes) dor cr\u00f4nica, a maioria dos profissionais (inclusive eu) receberam treinamento \/ educa\u00e7\u00e3o focada no modelo biom\u00e9dico. Sabemos de uma s\u00e9rie de estudos que o treinamento biom\u00e9dico pode influenciar as atitudes dos terapeutas e as fortes cren\u00e7as sobre a dor cr\u00f4nica. No entanto, poucos terapeutas est\u00e3o cientes do impacto que suas pr\u00f3prias atitudes e cren\u00e7as tem sobre o paciente, e provavelmente aqueles que est\u00e3o cientes disso, adotam uma vis\u00e3o biopsicossocial mais ampla. Aqueles que n\u00e3o est\u00e3o conscientes provavelmente se sentem entediados com este modelo biopsicossocial &#8211; eles provavelmente nunca conseguiram uma compreens\u00e3o completa do modelo ou usam desculpas (por exemplo, eu uso a CIF para nortear minhas avalia\u00e7\u00f5es) para cobrir o seu foco no modelo biom\u00e9dico puro.<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Mais especificamente, as atitudes e cren\u00e7as do terapeuta influenciam as atitudes e cren\u00e7as do paciente. Caso o terapeuta tenha fortes cren\u00e7as biom\u00e9dicas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 dor cr\u00f4nica, o paciente adotar\u00e1 essas cren\u00e7as. Exemplos t\u00edpicos de tais cren\u00e7as biom\u00e9dicas incluem: a dor est\u00e1 relacionada com a les\u00e3o tecidual; a Dor lombar cr\u00f4nica \u00e9 devida \u00e0 instabilidade da coluna vertebral ou um disco intervertebral lesado, o levantamento de objetos pesados com m\u00e1 postura \u00e9 perigoso para a coluna lombar; os pacientes com les\u00f5es em chicote (whiplash associated disdorders) sofrem por muito tempo \u2013 ent\u00e3o deve haver algo errado com a coluna cervical. A teoria de auto-regula\u00e7\u00e3o por Leventhal et al. (2003) fornece uma excelente estrutura conceitual para explicar como as cren\u00e7as dos pacientes (e dos terapeutas) influenciam seu comportamento (a figura abaixo ilustra isso).<\/h3>\n<p><a href=\"http:\/\/pesquisaemdor.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/blog1.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-537\" src=\"http:\/\/pesquisaemdor.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/blog1.jpg\" alt=\"blog1\" width=\"550\" height=\"361\" srcset=\"http:\/\/pesquisaemdor.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/blog1.jpg 956w, http:\/\/pesquisaemdor.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/blog1-300x197.jpg 300w, http:\/\/pesquisaemdor.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/blog1-768x504.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Como as atitudes e cren\u00e7as do paciente influenciam a ades\u00e3o ao tratamento, os terapeutas devem estar cientes de que enfocar o modelo biom\u00e9dico para a dor musculoesquel\u00e9tica cr\u00f4nica provavelmente resultar\u00e1 em m\u00e1 ades\u00e3o \u00e0s diretrizes de tratamento baseadas em evid\u00eancia, menor ader\u00eancia ao tratamento e menor resultado. O ponto de partida para a preven\u00e7\u00e3o desse mau resultado envolve a auto-reflex\u00e3o e auto-cr\u00edtica. Por exemplo, evid\u00eancias de ensaios controlados aleat\u00f3rios que abordam a reabilita\u00e7\u00e3o da dor m\u00fasculo-esquel\u00e9tica cr\u00f4nica revelaram que a auto-efic\u00e1cia adequada, o combate a depress\u00e3o, a modifica\u00e7\u00e3o da catastrofiza\u00e7\u00e3o da dor e a atividade f\u00edsica devem ser as metas prim\u00e1rias de tratamento para pacientes com dor musculoesquel\u00e9tica cr\u00f4nica. Ser\u00e1 que esses s\u00e3o os 4 principais alvos dos nossos tratamentos para pacientes com dor cr\u00f4nica? Os terapeutas com maior compreens\u00e3o e tratamentos mais atualizados para pacientes com dor cr\u00f4nica muitas vezes dizem (ou acham) que \u00e9 muito dif\u00edcil mudar o comportamento dos pacientes. Em nossa experi\u00eancia, isso pode acontecer em casos espec\u00edficos, mas a maioria dos pacientes \u00e9 &#8220;gerenci\u00e1vel&#8221;. Os terapeutas, no entanto, especialmente aqueles que t\u00eam muitos anos de experi\u00eancia cl\u00ednica, muitas vezes s\u00e3o mais dif\u00edceis de &#8220;ensinar&#8221;.<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Uma vez que o terapeuta mantenha atitudes e cren\u00e7as baseadas nas evid\u00eancias sobre a dor cr\u00f4nica, a avalia\u00e7\u00e3o das atitudes e cren\u00e7as dos pacientes provavelmente se tornar\u00e1 natural. Se o fizerem, eles podem facilmente integrar as informa\u00e7\u00f5es sobre as atitudes e cren\u00e7as dos pacientes (incluindo percep\u00e7\u00f5es de doen\u00e7a) no processo de racioc\u00ednio cl\u00ednico, o que resulta em programas de tratamento adaptados individualmente que abordam especificamente as atitudes e cren\u00e7as dos pacientes para melhorar a ades\u00e3o e os resultados do tratamento. Isso \u00e9 muito divertido e impede programas tratamento &#8216;chatos&#8217; (chato para o terapeuta especialmente!). \u00c9 muito divertido porque desafiar as atitudes e cren\u00e7as inadequadas dos pacientes \u00e9 tipicamente um desafio terap\u00eautico imprevis\u00edvel, mas que tamb\u00e9m \u00e9 muito inspirador. Cada paciente ser\u00e1 \u00fanico. Sempre haver\u00e1 casos novos e com novos desafios. Aproveite!<\/h3>\n<p>Saiba mais em:<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.ncbi.nlm.nih.gov\/pubmed\/23273516\">https:\/\/www.ncbi.nlm.nih.gov\/pubmed\/23273516<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.ncbi.nlm.nih.gov\/pubmed\/21917377\">https:\/\/www.ncbi.nlm.nih.gov\/pubmed\/21917377<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.ncbi.nlm.nih.gov\/pubmed\/21719329\">https:\/\/www.ncbi.nlm.nih.gov\/pubmed\/21719329<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.ncbi.nlm.nih.gov\/pubmed\/24389339\">https:\/\/www.ncbi.nlm.nih.gov\/pubmed\/24389339<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/pesquisaemdor.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/jo-nijs.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-547 alignleft\" src=\"http:\/\/pesquisaemdor.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/jo-nijs.jpg\" alt=\"jo-nijs\" width=\"350\" height=\"350\" srcset=\"http:\/\/pesquisaemdor.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/jo-nijs.jpg 350w, http:\/\/pesquisaemdor.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/jo-nijs-150x150.jpg 150w, http:\/\/pesquisaemdor.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/jo-nijs-300x300.jpg 300w, http:\/\/pesquisaemdor.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/jo-nijs-230x231.jpg 230w, http:\/\/pesquisaemdor.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/jo-nijs-250x250.jpg 250w\" sizes=\"(max-width: 350px) 100vw, 350px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Jo Nijs<\/p>\n<p>Pain in Motion <a href=\"http:\/\/www.paininmotion.be\">www.paininmotion.be<\/a><\/p>\n<p>Professor at the Vrije Universiteit Brussel, Brussels, Belgium<\/p>\n<p>@PaininMotion<\/p>\n<p>Colaborador Internacional do PED.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O modelo biom\u00e9dico n\u00e3o \u00e9 suficiente para explicar a dor cr\u00f4nica. Embora muitos cl\u00ednicos tenham adotado uma nova forma de pensar e apliquem uma vis\u00e3o<\/p>\n<div class=\"read-more-wrapper\"><a class=\"link small\" href=\"http:\/\/pesquisaemdor.com.br\/?p=683\" role=\"button\">Read more<span class=\"nc-icon-glyph arrows-1_bold-right\"><\/span><\/a><\/div>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":547,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/pesquisaemdor.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/683"}],"collection":[{"href":"http:\/\/pesquisaemdor.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/pesquisaemdor.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/pesquisaemdor.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/pesquisaemdor.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=683"}],"version-history":[{"count":5,"href":"http:\/\/pesquisaemdor.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/683\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":688,"href":"http:\/\/pesquisaemdor.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/683\/revisions\/688"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/pesquisaemdor.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/547"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/pesquisaemdor.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=683"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/pesquisaemdor.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=683"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/pesquisaemdor.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=683"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}