{"id":825,"date":"2017-03-07T00:48:01","date_gmt":"2017-03-07T00:48:01","guid":{"rendered":"http:\/\/pesquisaemdor.com.br\/?p=825"},"modified":"2017-03-07T00:48:01","modified_gmt":"2017-03-07T00:48:01","slug":"predizendo-recuperacao-em-pacientes-com-dor-lombar-aguda-um-modelo-de-predicao-clinica","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/pesquisaemdor.com.br\/?p=825","title":{"rendered":"Predizendo recupera\u00e7\u00e3o em pacientes com dor lombar aguda: Um Modelo de Predi\u00e7\u00e3o Cl\u00ednica"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 se sabe que existe grande variabilidade no curso cl\u00ednico de pacientes que apresentam dor lombar aguda. Estudos anteriores descreveram que em 1 ano, os escores m\u00e9dios de dor e incapacidade desses pacientes s\u00e3o baixos (Costa et al., 2012; Itz et al., 2013); entretanto, esses escores fornecem pouca informa\u00e7\u00e3o sobre diferentes trajet\u00f3rias de dor que os pacientes podem apresentar nesse per\u00edodo. Sabe-se que a maioria dos pacientes v\u00e3o se recuperar no per\u00edodo de 3 meses (Costa et al., 2012). Por\u00e9m, mesmo durante as 6 e 12 primeiras semanas onde os pacientes tendem a melhorar, existe grande variabilidade entre os pacientes, j\u00e1 que alguns melhoram em poucos dias, outros levam mais tempo para se recuperar, e outros n\u00e3o se recuperam (Henschke et al., 2008). A possibilidade de identitificar as chances de recupera\u00e7\u00e3o desses pacientes seria muito \u00fatil para os cl\u00ednicos e pacientes, j\u00e1 que auxiliaria na tomada de decis\u00e3o quanto ao n\u00famero de atendimentos necess\u00e1rios e tipo de tratamento a oferecer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os Modelos de Predi\u00e7\u00e3o Cl\u00ednica auxiliam no processo de tomada de decis\u00e3o utilizando dados cl\u00ednicos para estimar probabilidades de desfechos cl\u00ednicos (Laupacis et al., 1997), por exemplo, risco de quedas, risco de persist\u00eancia de dor, ou chance de recupera\u00e7\u00e3o de dor. J\u00e1 existem alguns Modelos de Predi\u00e7\u00e3o Cl\u00ednica anteriores desenvolvidos para pacientes com dor lombar, por\u00e9m, a maioria deles tem objetivo de predizer risco de dor persistente ou n\u00e3o-recupera\u00e7\u00e3o em 12 meses. Embora essa informa\u00e7\u00e3o seja \u00fatil, o objetivo de predizer resultados em um ano pode n\u00e3o ser relevante para auxiliar os cl\u00ednicos na tomada de decis\u00e3o sobre o tratamento de curto e m\u00e9dio prazo de pacientes com dor lombar aguda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Existe apenas um Modelo de Predi\u00e7\u00e3o Cl\u00ednica desenvolvido para predizer a probabilidade de recupera\u00e7\u00e3o em pacientes com dor lombar aguda em pontos espec\u00edficos de tempo durante os primeiros 3 meses (Hancock et al., 2009). Esse estudo descobriu que os pacientes com intensidade inicial de dor menor que a m\u00e9dia, dura\u00e7\u00e3o mais curta de dor e poucos epis\u00f3dios anteriores de dor lombar provavelmente se recuperariam mais r\u00e1pido do que pacientes sem essas caracter\u00edsticas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embora esse Modelo de Predi\u00e7\u00e3o Cl\u00ednica seja capaz de fornecer alguma informa\u00e7\u00e3o sobre as chances de recupera\u00e7\u00e3o de um epis\u00f3dio de dor lombar nos primeiros 3 meses, sua principal limita\u00e7\u00e3o \u00e9 a falta de discrimina\u00e7\u00e3o (C-statistic = 0,65), que \u00e9 uma medida estat\u00edstica que indica qu\u00e3o bem o modelo diferencia entre pacientes que se recuperam e aqueles que n\u00e3o se recuperaram, e \u00e9 portanto, uma caracter\u00edstica importante para determinar a qualidade do Modelo criado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 poss\u00edvel que um Modelo similar ao anterior, desenvolvido para ser utilizado uma semana ap\u00f3s o atendimento inicial com o cl\u00ednico seria mais discriminativo, uma vez que poderia incluir a vari\u00e1vel mudan\u00e7a na intensidade da dor durante a primeira semana como uma vari\u00e1vel preditiva. Estudos anteriores apontam que a mudan\u00e7a na intensidade da dor \u00e9 preditiva de desfechos em pacientes com dor lombar. Al\u00e9m disso, o desenvolvimento de um novo Modelo para ser utilizado uma semana ap\u00f3s o primeiro atendimento est\u00e1 de acordo com as diretrizes cl\u00ednicas atuais para o tratamento de dor lombar em aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria, que sugerem interven\u00e7\u00e3o simples\/minima (como por exemplo, aconselhamento e analg\u00e9sicos), com retorno em 1-2 semanas para determinar se a terapia adicional \u00e9 necess\u00e1ria (Koes et al., 2010).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Portanto, o objetivo do nosso estudo foi desenvolver um novo Modelo de Predi\u00e7\u00e3o Cl\u00ednica para ser utilizado uma semana ap\u00f3s o atendimento inicial. O Modelo seria utilizado em pacientes que ainda t\u00eam dor lombar neste retorno ao cl\u00ednico para predizer probabilidade de recupera\u00e7\u00e3o de dor em 1 semana, 1 m\u00eas e 3 meses ap\u00f3s o retorno ao cl\u00ednico. O estudo tamb\u00e9m tem por objetivo fornecer essas informa\u00e7\u00f5es de forma simples, de f\u00e1cil utiliza\u00e7\u00e3o e interpreta\u00e7\u00e3o por cl\u00ednicos e pacientes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Basicamente, n\u00f3s testamos 10 poss\u00edveis vari\u00e1veis preditivas para o desfecho de recupera\u00e7\u00e3o de dor, e destes, 5 permaneceram no modelo final: dura\u00e7\u00e3o do epis\u00f3dio atual de dor lombar, n\u00famero de epis\u00f3dios anteriores, depress\u00e3o, intensidade da dor, e mudan\u00e7a na intensidade da dor entre o primeiro atendimento e o retorno ao cl\u00ednico. Esse modelo multivari\u00e1vel final foi utilizado para gerar probabilidades para recupera\u00e7\u00e3o em 3 pontos de tempo para todas as combina\u00e7\u00f5es de vari\u00e1veis preditivas. Escolhemos 3 pontos de tempo que consideramos clinicamente importantes: 1 semana, 1 m\u00eas e 3 meses ap\u00f3s o retorno ao cl\u00ednico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No quadro abaixo \u00e9 poss\u00edvel visualizar as probabilidades de recupera\u00e7\u00e3o em 1 semana. \u00c9 poss\u00edvel identificar as 5 vari\u00e1veis preditivas e as probabilidades, coloridas de acordo com diferentes bandas de probabilidade de recupera\u00e7\u00e3o, para diferentes combina\u00e7\u00f5es de vari\u00e1veis preditivas. Por exemplo, se um paciente apresenta dura\u00e7\u00e3o de epis\u00f3dio anterior entre 7 a 14 dias, 0 a 2 epis\u00f3dios anteriores, pontua\u00e7\u00e3o de depress\u00e3o entre 0 a 3, pontua\u00e7\u00e3o de intensidade de dor no retorno ao cl\u00ednico entre 2 e 4, e uma mudan\u00e7a de dor de 4 ou mais, ele ter\u00e1 59% de chance de se recuperar em uma semana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/pesquisaemdor.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/Slide1-e1488846380530.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-826 \" src=\"http:\/\/pesquisaemdor.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/Slide1-e1488846380530-300x193.jpg\" width=\"336\" height=\"216\" srcset=\"http:\/\/pesquisaemdor.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/Slide1-e1488846380530-300x193.jpg 300w, http:\/\/pesquisaemdor.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/Slide1-e1488846380530.jpg 712w\" sizes=\"(max-width: 336px) 100vw, 336px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse estudo demonstrou que um Modelo de Predi\u00e7\u00e3o Cl\u00ednica usando 5 vari\u00e1veis que podem ser facilmente coletadas como parte da pr\u00e1tica cl\u00ednica di\u00e1ria foi capaz de predizer a probabilidade de recupera\u00e7\u00e3o de um epis\u00f3dio de dor lombar aguda em 1 semana, 1 m\u00eas e 3 meses ap\u00f3s o retorno ao cl\u00ednico. O Modelo de Predi\u00e7\u00e3o Cl\u00ednica e os quadros associados s\u00e3o de f\u00e1cil utiliza\u00e7\u00e3o e interpreta\u00e7\u00e3o. As probabilidades preditas demonstram como o Modelo de Predi\u00e7\u00e3o Cl\u00ednica pode ser utilizado para informar a tomada de decis\u00e3o compartilhada entre cl\u00ednicos e pacientes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Importante ressaltar que a realiza\u00e7\u00e3o de valida\u00e7\u00e3o externa desse Modelo \u00e9 necess\u00e1ria. \u00c9 preciso testar se esse Modelo continua a demonstrar boa discrimina\u00e7\u00e3o e calibra\u00e7\u00e3o (medidas estat\u00edsticas necess\u00e1rias para determinar a qualidade do Modelo criado), quando aplicado a uma amostra semelhante de pacientes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Costa LCM, Maher CG, Hancock MJ, McAuley JH, Herbert RD, Costa LOP. The prognosis of acute and persistent low-back pain: a meta-analysis. CMAJ : Canadian Medical Association journal = journal de l&#8217;Association medicale canadienne 2012;184: E613-624.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hancock MJ, Maher CG, Latimer J, Herbert RD, McAuley JH. Can rate of recovery be predicted in patients with acute low back pain? Development of a clinical prediction rule. European journal of pain 2009;13: 51-55.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Henschke N, Maher CG, Refshauge KM, Herbert RD, Cumming RG, Bleasel J, York J, Das A, McAuley JH. Prognosis in patients with recent onset low back pain in Australian primary care: inception cohort study. Bmj 2008;337: a171.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Itz CJ, Geurts JW, van Kleef M, Nelemans P. Clinical course of non-specific low back pain: a systematic review of prospective cohort studies set in primary care. European journal of pain 2013;17: 5-15.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Koes BW, van Tulder M, Lin CW, Macedo LG, McAuley J, Maher C. An updated overview of clinical guidelines for the management of non-specific low back pain in primary care. Eur Spine J 2010;19: 2075-2094.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Laupacis A, Sekar N, Stiell IG. Clinical prediction rules. A review and suggested modifications of methodological standards. Jama 1997;277: 488-494.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/pesquisaemdor.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/TATI.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\" wp-image-836 alignleft\" src=\"http:\/\/pesquisaemdor.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/TATI-241x300.jpg\" alt=\"TATI\" width=\"203\" height=\"253\" \/><\/a><\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><span id=\"yiv7720337071yui_3_16_0_ym19_1_1486939899470_36916\">Tatiane Mota da Silva <\/span><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span id=\"yiv7720337071yui_3_16_0_ym19_1_1486939899470_36916\">\u00c9 g<\/span><span id=\"yiv7720337071yui_3_16_0_ym19_1_1486939899470_36917\">raduada em Fisioterapia pela Universidade Cidade de S\u00e3o Paulo &#8211; UNICID (2010), especialista em Fisioterapia Aqu\u00e1tica pela UNICID (2012) e mestre em Fisioterapia pela UNICID (2014). Atualmente \u00e9 aluna de doutorado da Macquarie University (Sydney,Australia), onde estuda especialmente\u00a0<\/span><span id=\"yiv7720337071yui_3_16_0_ym19_1_1486939899470_37330\">recupera\u00e7\u00e3o de pacientes com dor lombar aguda e\u00a0<span id=\"yiv7720337071yui_3_16_0_ym19_1_1486939899470_37480\">recorr\u00eancias<\/span>\u00a0de dor lombar em pessoas recentemente recuperadas de um episodio previo.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>J\u00e1 se sabe que existe grande variabilidade no curso cl\u00ednico de pacientes que apresentam dor lombar aguda. 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