{"id":939,"date":"2017-08-17T03:23:17","date_gmt":"2017-08-17T03:23:17","guid":{"rendered":"http:\/\/pesquisaemdor.com.br\/?p=939"},"modified":"2017-08-17T03:23:17","modified_gmt":"2017-08-17T03:23:17","slug":"o-medo-do-movimento-e-os-niveis-de-atividade-fisica-na-dor-lombar-cronica-nao-especifica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pesquisaemdor.com.br\/?p=939","title":{"rendered":"O MEDO DO MOVIMENTO E OS N\u00cdVEIS DE ATIVIDADE F\u00cdSICA NA DOR LOMBAR CR\u00d4NICA N\u00c3O ESPEC\u00cdFICA"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Os fatores psicossociais s\u00e3o constantemente reportados por pacientes com dor lombar cr\u00f4nica (isto \u00e9, presen\u00e7a de dor lombar h\u00e1 mais de 3 meses). Dentre esses fatores se destaca o medo de movimento, componente central do conhecido modelo de <em>fear-avoidance<\/em><sup>1<\/sup>. Segundo este modelo, ap\u00f3s um episodio de dor, o paciente evita se movimentar pois acredita que o movimento ir\u00e1 causar dor ou recorr\u00eancia da les\u00e3o. Sendo assim, o modelo de <em>fear-avoidance<\/em> sugere que pacientes com altos n\u00edveis de medo de movimento, ou com uma forte cren\u00e7a de que atividades f\u00edsicas ir\u00e3o causar (ou exacerbar) uma les\u00e3o, desenvolvem mais incapacidade funcional e se tornam cada vez mais inativos fisicamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nosso estudo publicado recentemente na <em>Archives of Physical Medicine and Rehabilitation<\/em><sup>2<\/sup> investigou duas hip\u00f3teses do modelo de <em>fear-avoidance behaviour<\/em>: 1) Pacientes com dor lombar que reportam ter medo de movimento possuem maior incapacidade funcional 2) Pacientes com dor lombar que reportam ter medo de movimento apresentam baixos n\u00edveis de atividade f\u00edsica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><em>O que fizemos?<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00f3s avaliamos cerca de 119 pacientes com dor lombar cr\u00f4nica n\u00e3o espec\u00edfica residentes na cidade de Presidente Prudente (SP). As seguintes medidas foram obtidas dos pacientes que aceitaram participar do estudo: medo de movimento (Escala de Tampa para Cinesiofobia); intensidade da dor (Escala Num\u00e9rica de Dor), incapacidade (Question\u00e1rio de Incapacidade de Roland Morris), atividade f\u00edsica (<em>medida subjetiva<\/em> por meio do Question\u00e1rio de Atividade F\u00edsica Habitual de Baecke e <em>medida objetiva<\/em> por meio do aceler\u00f4metro). De fato, dentre as medidas de atividade f\u00edsica quantificada pelo aceler\u00f4metro est\u00e3o: <em>counts per minute<\/em>; tempo total de atividade gasto em intensidade moderada\/vigorosa; tempo gasto em intensidade leve; e n\u00famero de passos por dia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><em>O que encontramos?<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Hip\u00f3tese 1. Pacientes com dor lombar que reportam ter medo de movimento possuem maior incapacidade funcional<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nosso estudo encontrou uma associa\u00e7\u00e3o negativa entre o medo de movimento e incapacidade funcional em pacientes com dor lombar cr\u00f4nica n\u00e3o especifica. Esta associa\u00e7\u00e3o demonstra que quanto maior o medo de movimento reportado pelo paciente maior ser\u00e1 sua incapacidade funcional. A associa\u00e7\u00e3o encontrada esta de acordo com a teoria proposta pelo modelo de <em>fear-avoidance<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Hip\u00f3tese 2. Pacientes com dor lombar que reportam ter medo de movimento apresentam baixos n\u00edveis de atividade f\u00edsica<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nosso estudo n\u00e3o encontrou associa\u00e7\u00e3o entre o medo de movimento e os n\u00edveis de atividade f\u00edsica (independente se mesurado objetivamente por meio de aceler\u00f4metro ou por question\u00e1rio de auto-relato) em pacientes com dor lombar cr\u00f4nica. Esse achado vai de encontro com a teoria proposta pelo modelo de <em>fear-avoidance.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><em>Qual a explica\u00e7\u00e3o dos nossos achados?<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma poss\u00edvel hip\u00f3tese para os nossos achados esta relacionada com os constructos das medidas de incapacidade funcional e atividade f\u00edsica. Enquanto os question\u00e1rios de incapacidade buscam identificar as limita\u00e7\u00f5es funcionais relacionada a atividades especificas da coluna, as medidas de atividade f\u00edsica quantificam o n\u00edvel global de atividade deste paciente. Portanto, por mais que estes pacientes possam evitar movimentos relacionados a coluna, eles permanecem ativos para desempenhar suas atividades de vida di\u00e1ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar da l\u00f3gica associa\u00e7\u00e3o entre medo de movimento e atividade f\u00edsica, as evid\u00eancias at\u00e9 o momento para suportar o modelo de <em>fear-avoidance <\/em>s\u00e3o inconclusivas. Al\u00e9m disso, outras teorias<sup>3<\/sup> t\u00eam sido propostas para explicar tal rela\u00e7\u00e3o, contudo at\u00e9 o momento, n\u00e3o h\u00e1 nenhuma evid\u00eancia que d\u00ea suporte a nenhuma delas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><em>Qual a implica\u00e7\u00e3o dos nossos achados?<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No momento o grupo PeCAF (Pesquisa Clinica Aplicada a Fisioterapia) busca entender melhor esta rela\u00e7\u00e3o entre atividade f\u00edsica e pacientes com dor lombar cr\u00f4nica n\u00e3o especifica. De fato, esta bem definido na literatura que a inatividade f\u00edsica se trata de um fator de risco modific\u00e1vel para o desenvolvimento de doen\u00e7as cardiovasculares. Tendo em vista que as doen\u00e7as cardiovasculares possuem altas taxas de preval\u00eancia em pacientes com dor cr\u00f4nica musculoesquel\u00e9tica<sup>4<\/sup>, a ocorr\u00eancia concomitante destas duas condi\u00e7\u00f5es gera efeitos dr\u00e1sticos no bem-estar geral desses pacientes. Portanto, baseado neste e em outros estudos do grupo PeCAF<sup>5,6<\/sup>, estamos investigando como aumentar os n\u00edveis de atividade f\u00edsica de pacientes com dor lombar cr\u00f4nica n\u00e3o especifica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a0Refer\u00eancias:<\/em><\/strong><\/p>\n<ol>\n<li style=\"text-align: justify;\">Vlaeyen JW, Linton SJ. Fear-avoidance and its consequences in chronic musculoskeletal pain: a state of the art. Pain 2000;85:317-32.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Carvalho et al. Fear of Movement Is Not Associated With Objective and Subjective Physical Activity Levels in Chronic Nonspecific Low Back Pain. Arch Phys Med Rehabil 2017;98:96-104<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Hasenbring MI, Verbunt JA. Fear-avoidance and endurance-related responses to pain: new models of behavior and their consequences for clinical practice. Clin J Pain 2010;26:747-53.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Ryan CG, McDonough S, Kirwan JP, Leveille S, Martin DJ. An investigation of association between chronic musculoskeletal pain and cardiovascular disease in the Health Survey for England (2008). Eur J Pain. 2014;18:740-50.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Pinto RZ, Ferreira PH, Kongsted A, Ferreira ML, Maher CG, Kent P. Self-reported moderate-to-vigorous leisure time physical activity predicts less pain and disability over 12 months in chronic and persistent low back pain. Eur J Pain 2014;18(8):1190-8<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Oliveira, C.B., Franco, M.R., Maher, C.G., Christine Lin, C.W., Morelh\u00e3o, P.K., Ara\u00fajo, A.C., Negr\u00e3o Filho, R.F., Pinto, R.Z. Physical activity interventions for increasing objectively measured physical activity levels in chronic musculoskeletal pain: systematic review. Arthritis Care Res (Hoboken) 2016;68(12):1832-42.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/pesquisaemdor.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/20891662_1469097179846768_197339374_n.png\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-940\" src=\"http:\/\/pesquisaemdor.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/20891662_1469097179846768_197339374_n-298x300.png\" alt=\"\" width=\"298\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/pesquisaemdor.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/20891662_1469097179846768_197339374_n-298x300.png 298w, https:\/\/pesquisaemdor.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/20891662_1469097179846768_197339374_n-150x150.png 150w, https:\/\/pesquisaemdor.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/20891662_1469097179846768_197339374_n-230x231.png 230w, https:\/\/pesquisaemdor.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/20891662_1469097179846768_197339374_n.png 354w\" sizes=\"(max-width: 298px) 100vw, 298px\" \/><\/a><\/p>\n<h4>Crystian Bitencourt<\/h4>\n<header class=\"with-resume\">\n<div class=\"table padding-table pa5 block-table\"><\/div>\n<\/header>\n<div class=\"content justify\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Graduado em Fisioterapia pela Faculdade de Ci\u00eancia e Tecnologia\/UNESP &#8211; Presidente Prudente. Crystian realizou o mestrado em fisioterapia na Faculdade de Ci\u00eancia e Tecnologia\/UNESP no ano de 2016. Atualmente, Crystian \u00e9 doutorando pela Faculdade de Ci\u00eancia e Tecnologia\/UNESP na \u00e1rea de concentra\u00e7\u00e3o &#8220;Avalia\u00e7\u00e3o e Interven\u00e7\u00e3o em Fisioterapia&#8221;. Atua principalmente nas \u00e1reas de Ortopedia e Traumatologia com enfoque em: atividade f\u00edsica; dor cr\u00f4nica musculoesquel\u00e9tica; dor lombar; e coluna vertebral.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os fatores psicossociais s\u00e3o constantemente reportados por pacientes com dor lombar cr\u00f4nica (isto \u00e9, presen\u00e7a de dor lombar h\u00e1 mais de 3 meses). Dentre esses<\/p>\n<div class=\"read-more-wrapper\"><a class=\"link small\" href=\"https:\/\/pesquisaemdor.com.br\/?p=939\" role=\"button\">Read more<span class=\"nc-icon-glyph arrows-1_bold-right\"><\/span><\/a><\/div>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":940,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pesquisaemdor.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/939"}],"collection":[{"href":"https:\/\/pesquisaemdor.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pesquisaemdor.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pesquisaemdor.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pesquisaemdor.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=939"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/pesquisaemdor.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/939\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":942,"href":"https:\/\/pesquisaemdor.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/939\/revisions\/942"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pesquisaemdor.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/940"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pesquisaemdor.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=939"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pesquisaemdor.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=939"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pesquisaemdor.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=939"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}