{"id":956,"date":"2017-12-19T18:17:52","date_gmt":"2017-12-19T18:17:52","guid":{"rendered":"http:\/\/pesquisaemdor.com.br\/?p=956"},"modified":"2017-12-19T18:17:52","modified_gmt":"2017-12-19T18:17:52","slug":"dor-lombar-em-criancas-e-adolescentes-prevalencia-fatores-de-risco-prognostico-e-tratamento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pesquisaemdor.com.br\/?p=956","title":{"rendered":"DOR LOMBAR EM CRIAN\u00c7AS E ADOLESCENTES: PREVAL\u00caNCIA, FATORES DE RISCO, PROGN\u00d3STICO E TRATAMENTO"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Hoje em dia, a dor lombar em adultos parece estar bem descrita na literatura de forma que se entende o tamanho de seu impacto na sa\u00fade mundial. Entretanto, as consequ\u00eancias da dor lombar em crian\u00e7as e adolescentes n\u00e3o parececem estar t\u00e3o claras. Dados do <em>Global Burden of Disease<\/em> de 2015 identificaram que as dores cervical e lombar ocupam a 9<sup>a<\/sup> posi\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o aos anos vividos com incapacidade em crian\u00e7as entre 10-14 anos e, 4<sup>a<\/sup> posi\u00e7\u00e3o em adolescentes entre 15-19 anos. Apesar da impress\u00e3o de que dor lombar em crian\u00e7as e adolescentes \u00e9 tempor\u00e1ria e resulta em m\u00ednimos impactos, existe evid\u00eancia de que a preval\u00eancia de dor lombar em crian\u00e7as e adolescentes \u00e9 alta e traz consequ\u00eancias como procura por assist\u00eancia m\u00e9dica, perda de dias na escola e aus\u00eancia em atividades f\u00edsicas e lazer. Apesar destes dados, a \u00e1rea de dor cr\u00f4nica e mais especificamente, a \u00e1rea de dor lombar ainda \u00e9 muito pouco explorada na literatura para esta popula\u00e7\u00e3o. Nosso grupo de pesquisa publicou recentemente uma revis\u00e3o da literatura com o objetivo de fazer um resumo geral do que h\u00e1 de evid\u00eancia sobre diversos aspectos relacionados \u00e0 dor lombar em crian\u00e7as e adolescentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que n\u00f3s fizemos?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00f3s realizamos uma revis\u00e3o de revis\u00f5es sistem\u00e1ticas com o intuito de responder quatro perguntas principais:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1) Qual \u00e9 a preval\u00eancia de dor lombar em crian\u00e7as e adolescentes?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2) Quais s\u00e3o os fatores de risco?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3) Quais s\u00e3o os fatores progn\u00f3sticos?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4) Quais s\u00e3o as interven\u00e7\u00f5es de preven\u00e7\u00e3o de tratamento mais eficazes?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que n\u00f3s achamos?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De 1,887 estudos encontrados na nossa busca, 27 revis\u00f5es sistem\u00e1ticas foram inclu\u00eddas em nosso estudo. Destas 27 revis\u00f5es, 11 foram classificadas como baixa qualidade metodol\u00f3gica, sete foram classificadas com moderada qualidade metodol\u00f3gica e nove como alta qualidade metodol\u00f3gica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Preval\u00eancia e incid\u00eancia de dor lobar em crian\u00e7as e adolescentes:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nove revis\u00f5es reportaram dados de preval\u00eancia e a preval\u00eanica pontual variou de 3-39%, com revis\u00f5es de alta qualidade metodol\u00f3gica indicando uma preval\u00eancia m\u00e9dia de 20%. A preval\u00eancia de dor mensal variou de 10-36% (com revis\u00f5es de alta qualidade indicando 18-24%) e a preval\u00eancia ao longo da vida variou de 7-72% (com revis\u00f5es de alta qualidade indicando uma m\u00e9dia de 40%). Al\u00e9m disso, notamos que diversas revis\u00f5es reportaram um aumento na preval\u00eanica de dor lombar de acordo com a idade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Fatores de risco para dor lombar em crian\u00e7as e adolescentes:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quinze revis\u00f5es reportaram dados de associa\u00e7\u00e3o entre fatores de risco e dor lombar. Os fatores que parecem estar associados a um aumento do risco de dor lombar em crian\u00e7as e adolescentes s\u00e3o stress psicosocial e psicol\u00f3gico (revis\u00f5es de alta qualidade metodol\u00f3gica), al\u00e9m do tabagismo (moderada qualidade metodol\u00f3gica). Alguns fatores parecem n\u00e3o ter um risco claro do desenvolvimento de dor lombar, como por exemplo: ser do g\u00eanero feminino, ser mais alto, uso e caracter\u00edsticas da mochila escolar (como o peso), praticar atividade fisica, sobrepeso e maior tempo assistindo televis\u00e3o. Por fim, alguns fatores parecem realmente n\u00e3o atuar como risco no desenvolvimento da dor lombar, como: m\u00e1 postura, fatores f\u00edsicos (por exemplo: hipermobilidade) e for\u00e7a muscular. Mas a grande maioria destes resultados s\u00e3o baseados em revis\u00f5es sistem\u00e1ticas de moderada a baixa qualidade metodol\u00f3gica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Fatores progn\u00f3sticos da dor lombar em crian\u00e7as e adoelscentes:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apenas uma revis\u00e3o sistem\u00e1tica foi encontrada sobre progn\u00f3stico de dor lombar em crian\u00e7as e adolescentes. Esta revis\u00e3o foi classificada como alta qualidade metodol\u00f3gica, por\u00e9m os resultados fornecidos s\u00e3o baseados em uma qualidade de evid\u00eancia muito baixa. Esta revis\u00e3o reporta que o g\u00eanero, alto n\u00edvel de incapacidade e o IMC s\u00e3o fatores progn\u00f3sticos incertos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Interven\u00e7\u00f5es de preven\u00e7\u00e3o e tratamento da dor lombar em crian\u00e7as e adolescentes:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00f3s encontramos tr\u00eas revis\u00f5es sistem\u00e1ticas de interven\u00e7\u00f5es de preven\u00e7\u00e3o (alta qualidade metodol\u00f3gica) e quatro revis\u00f5es sistem\u00e1ticas de interven\u00e7\u00f5es de tratamento (moderada qualidade metodol\u00f3gica). Os resultados mostram que at\u00e9 o momento interven\u00e7\u00f5es de preven\u00e7\u00e3o da dor lombar em crian\u00e7as e adolescentes s\u00e3o inefetivas ou pouco efetivas e que, interven\u00e7\u00f5es de tratamento que envolvem condicionamento fisico, exerc\u00edcio ou educa\u00e7\u00e3o s\u00e3o possivelmente efetivas na redu\u00e7\u00e3o da dor lombar em crian\u00e7as e adolescentes (quando comparado com exerc\u00edcios em casa, conselho ou nenhum tratamento).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Qual \u00e9 a implica\u00e7\u00e3o dos nossos resultados?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar da evid\u00eancia de que a dor lombar parece ter um impacto significativo na vida de crian\u00e7as e adolescentes, at\u00e9 o momento os estudos nesta \u00e1rea parecem ser inadequados em rela\u00e7\u00e3o a qualidade metodol\u00f3gica. Mais estudos de boa qualidade metodol\u00f3gica s\u00e3o necess\u00e1rios nesta \u00e1rea visto que at\u00e9 o momento os cl\u00ednicos pouco podem se informar sobre a condi\u00e7\u00e3o na literatura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refer\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Kamper SJ, Yamato TP, Williams CM. The prevalence, risk factors, prognosis and treatment for back pain in children and adolescents: An overview of systematic reviews.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"yiv2719603435MsoNormal\"><a href=\"http:\/\/pesquisaemdor.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/Photo_Tie.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-957 alignleft\" src=\"http:\/\/pesquisaemdor.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/Photo_Tie-193x300.jpg\" alt=\"\" width=\"193\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/pesquisaemdor.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/Photo_Tie-193x300.jpg 193w, https:\/\/pesquisaemdor.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/Photo_Tie.jpg 305w\" sizes=\"(max-width: 193px) 100vw, 193px\" \/><\/a><strong><i id=\"yui_3_16_0_ym19_1_1513706905723_4873\"><span id=\"yui_3_16_0_ym19_1_1513706905723_4872\" lang=\"PT-BR\">Dra Ti\u00ea Parma Yamato<\/span><\/i><\/strong><\/p>\n<p id=\"yui_3_16_0_ym19_1_1513706905723_4855\" class=\"yiv2719603435MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><i id=\"yui_3_16_0_ym19_1_1513706905723_4871\"><span id=\"yui_3_16_0_ym19_1_1513706905723_4870\" lang=\"PT-BR\">PhD pela Universidade de Sidney, Austr\u00e1lia, pesquisadora associada da Universidade de Newcastle e do Center for Pain Health and Lifestyle (centrephl.org).<\/span><\/i><\/p>\n<p id=\"yui_3_16_0_ym19_1_1513706905723_4869\" class=\"yiv2719603435MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><i id=\"yui_3_16_0_ym19_1_1513706905723_4868\"><span id=\"yui_3_16_0_ym19_1_1513706905723_4867\" lang=\"PT-BR\">Co-l\u00edder do International Collaboration for Early Career Researchers (theicecream.org) e do PEDrinho (blog do Physiotherapy Evidence Database no Brasil).<\/span><\/i><\/p>\n<p id=\"yui_3_16_0_ym19_1_1513706905723_4874\" class=\"yiv2719603435MsoNormal\"><a href=\"http:\/\/pesquisaemdor.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/Photo_Tie.jpg\"><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje em dia, a dor lombar em adultos parece estar bem descrita na literatura de forma que se entende o tamanho de seu impacto na<\/p>\n<div class=\"read-more-wrapper\"><a class=\"link small\" href=\"https:\/\/pesquisaemdor.com.br\/?p=956\" role=\"button\">Read more<span class=\"nc-icon-glyph arrows-1_bold-right\"><\/span><\/a><\/div>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":957,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pesquisaemdor.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/956"}],"collection":[{"href":"https:\/\/pesquisaemdor.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pesquisaemdor.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pesquisaemdor.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pesquisaemdor.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=956"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/pesquisaemdor.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/956\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":958,"href":"https:\/\/pesquisaemdor.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/956\/revisions\/958"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pesquisaemdor.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/957"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pesquisaemdor.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=956"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pesquisaemdor.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=956"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pesquisaemdor.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=956"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}