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DOR LOMBAR EM CRIANÇAS E ADOLESCENTES: PREVALÊNCIA, FATORES DE RISCO, PROGNÓSTICO E TRATAMENTO – Pesquisa em Dor

DOR LOMBAR EM CRIANÇAS E ADOLESCENTES: PREVALÊNCIA, FATORES DE RISCO, PROGNÓSTICO E TRATAMENTO

dezembro 19, 2017 - pesquisaemdor

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Hoje em dia, a dor lombar em adultos parece estar bem descrita na literatura de forma que se entende o tamanho de seu impacto na saúde mundial. Entretanto, as consequências da dor lombar em crianças e adolescentes não parececem estar tão claras. Dados do Global Burden of Disease de 2015 identificaram que as dores cervical e lombar ocupam a 9a posição em relação aos anos vividos com incapacidade em crianças entre 10-14 anos e, 4a posição em adolescentes entre 15-19 anos. Apesar da impressão de que dor lombar em crianças e adolescentes é temporária e resulta em mínimos impactos, existe evidência de que a prevalência de dor lombar em crianças e adolescentes é alta e traz consequências como procura por assistência médica, perda de dias na escola e ausência em atividades físicas e lazer. Apesar destes dados, a área de dor crônica e mais especificamente, a área de dor lombar ainda é muito pouco explorada na literatura para esta população. Nosso grupo de pesquisa publicou recentemente uma revisão da literatura com o objetivo de fazer um resumo geral do que há de evidência sobre diversos aspectos relacionados à dor lombar em crianças e adolescentes.

O que nós fizemos?

Nós realizamos uma revisão de revisões sistemáticas com o intuito de responder quatro perguntas principais:

1) Qual é a prevalência de dor lombar em crianças e adolescentes?

2) Quais são os fatores de risco?

3) Quais são os fatores prognósticos?

4) Quais são as intervenções de prevenção de tratamento mais eficazes?

O que nós achamos?

De 1,887 estudos encontrados na nossa busca, 27 revisões sistemáticas foram incluídas em nosso estudo. Destas 27 revisões, 11 foram classificadas como baixa qualidade metodológica, sete foram classificadas com moderada qualidade metodológica e nove como alta qualidade metodológica.

Prevalência e incidência de dor lobar em crianças e adolescentes:

Nove revisões reportaram dados de prevalência e a prevalênica pontual variou de 3-39%, com revisões de alta qualidade metodológica indicando uma prevalência média de 20%. A prevalência de dor mensal variou de 10-36% (com revisões de alta qualidade indicando 18-24%) e a prevalência ao longo da vida variou de 7-72% (com revisões de alta qualidade indicando uma média de 40%). Além disso, notamos que diversas revisões reportaram um aumento na prevalênica de dor lombar de acordo com a idade.

Fatores de risco para dor lombar em crianças e adolescentes:

Quinze revisões reportaram dados de associação entre fatores de risco e dor lombar. Os fatores que parecem estar associados a um aumento do risco de dor lombar em crianças e adolescentes são stress psicosocial e psicológico (revisões de alta qualidade metodológica), além do tabagismo (moderada qualidade metodológica). Alguns fatores parecem não ter um risco claro do desenvolvimento de dor lombar, como por exemplo: ser do gênero feminino, ser mais alto, uso e características da mochila escolar (como o peso), praticar atividade fisica, sobrepeso e maior tempo assistindo televisão. Por fim, alguns fatores parecem realmente não atuar como risco no desenvolvimento da dor lombar, como: má postura, fatores físicos (por exemplo: hipermobilidade) e força muscular. Mas a grande maioria destes resultados são baseados em revisões sistemáticas de moderada a baixa qualidade metodológica.

Fatores prognósticos da dor lombar em crianças e adoelscentes:

Apenas uma revisão sistemática foi encontrada sobre prognóstico de dor lombar em crianças e adolescentes. Esta revisão foi classificada como alta qualidade metodológica, porém os resultados fornecidos são baseados em uma qualidade de evidência muito baixa. Esta revisão reporta que o gênero, alto nível de incapacidade e o IMC são fatores prognósticos incertos.

Intervenções de prevenção e tratamento da dor lombar em crianças e adolescentes:

Nós encontramos três revisões sistemáticas de intervenções de prevenção (alta qualidade metodológica) e quatro revisões sistemáticas de intervenções de tratamento (moderada qualidade metodológica). Os resultados mostram que até o momento intervenções de prevenção da dor lombar em crianças e adolescentes são inefetivas ou pouco efetivas e que, intervenções de tratamento que envolvem condicionamento fisico, exercício ou educação são possivelmente efetivas na redução da dor lombar em crianças e adolescentes (quando comparado com exercícios em casa, conselho ou nenhum tratamento).

Qual é a implicação dos nossos resultados?

Apesar da evidência de que a dor lombar parece ter um impacto significativo na vida de crianças e adolescentes, até o momento os estudos nesta área parecem ser inadequados em relação a qualidade metodológica. Mais estudos de boa qualidade metodológica são necessários nesta área visto que até o momento os clínicos pouco podem se informar sobre a condição na literatura.

Referência

Kamper SJ, Yamato TP, Williams CM. The prevalence, risk factors, prognosis and treatment for back pain in children and adolescents: An overview of systematic reviews.

 

Dra Tiê Parma Yamato

PhD pela Universidade de Sidney, Austrália, pesquisadora associada da Universidade de Newcastle e do Center for Pain Health and Lifestyle (centrephl.org).

Co-líder do International Collaboration for Early Career Researchers (theicecream.org) e do PEDrinho (blog do Physiotherapy Evidence Database no Brasil).

 

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