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A complexidade das lesões esportivas e da dor em atletas.

abril 4, 2017 - pesquisaemdor

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Na rotina do fisioterapeuta esportivo é evidente a influência de fatores psicológicos tanto na recuperação das lesões quanto na percepção de dor e na ocorrência de lesões. Por exemplo, após a ruptura do LCA, o pós-operatório é longo e lidamos com diferentes reações dos atletas, uns são motivados e outros deprimem. As evidencias cientificas atuais confirmam essas observações e demonstram que medo de nova lesão e falta de confiança podem ser responsáveis pela baixa taxa de retorno ao esporte após reconstrução do LCA (Arden et al. BJSM, 2011; Kvist et al., Knee Surg Sports Traumatol Arthrosc. 2005 ). Além disso, alguns estudos na área do esporte demonstram que fatores psicossociais como auto-estima e percepção de stress podem aumentar o risco de lesões em atletas jovens (von Rosen et al., Scan J Sports Med. 2017).

Essas evidências aumentam ainda mais o desafio no esporte, pois a lesão esportiva é um fenômeno complexo, produzida pela interação não-linear entre diversos fatores (biomecânicos, psicológicos, fisiológicos), os quais resultam no perfil de risco do atleta, específico do seu contexto esportivo (Bittencourt et al, BJSM 2016).

Neste sentido, é fundamental a AVALIAÇÃO do atleta, uma vez que é apenas através de uma avaliação completa que o fisioterapeuta irá identificar quais aspectos estão interagindo e são relevantes para o surgimento da lesão. Como exemplo, a figura abaixo descreve a rede de interação entre fatores determinantes para tendinopatia patelar, lesão muito comum em atletas de vôlei e basquete no Minas Tenis Clube. Neste exemplo, os fatores biomecânicos, psicológicos e de carga de treino foram avaliados e os fatores com resultados ruins estão em vermelho, fatores em atenção estão em laranja e os fatores em verde não são problemas para este atleta. Os principais problemas neste caso, e que devem ser foco da intervenção estão relacionados com pouca ADM de dorsiflexão e fraqueza dos extensores do quadril que se interagem com a percepção alta de stress, que por sua vez, está sendo influenciada por poucas horas de sono em um atleta catastrófico. Vale ressaltar que não é o excesso de horas de treino que está aumentando a demanda para este atleta, mas sim a baixa capacidade de lidar com stress e de dissipar e gerar energia mecânica que podem estar influenciando a lesão. Dessa forma, o fisioterapeuta deve analisar as evidencias cientificas e junto com o raciocínio clínico realizar a melhor avaliação, considerando os aspectos biopsicossociais, para traçar a intervenção centrada no paciente e não na doença.

Ardern CL, Webster KE, Taylor NF, Feller JA. Return-to-sport following anterior cruciate ligament reconstruction surgery: a systematic review and meta-analysis of the state of play. Br J Sports Med. 2011;45(7):596-606.

Kvist J, Ek A, Sporrstedt K, Good L. Fear of re-injury: a hindrance for returning to sports after anterior cruciate ligament reconstruction. Knee Surg Sports Traumatol Arthrosc. 2005;13(5):393-397.

von Rosen et al., Multltiple factors explain injury risk in adolescent elite athletes: applying a biopsychosocial perspective Scan J Sports Med. 2017.

Bittencourt NFN, Meeuwisse WH, Mendonça LD ,Nettel-Aguirre A,Ocarino JM ,Fonseca FT . Complex systems approach for sports injuries: moving from risk factor identification to injury pattern recognition—narrative review and new concept. Br J Sports Med. 2016

 

13895141_1071596966253427_7652746507651063924_n Natalia Franco Bittencourt

É fisioterapeuta e atualmente atua no Minas Tenis Clube.

Professora do curso de Fisioterapia da Universidade Uni-BH

Doutora na área esportiva, suas pesqusias envolvem as lesões em atletas  sua recuperação.

Recentemente publicou o artigo “Complex systems approach for sports injuries: moving from risk factor identification to injury pattern recognition—narrative review and new concept” no reconhecido British Journal of Sports Medicine

pesquisaemdor

One thought on “A complexidade das lesões esportivas e da dor em atletas.

  • Leandro Dias

    14 de abril de 2017 at 02:29

    Análise muito boa sobre algo que realmente interfere na vida do atleta, as lesões.

    Responder

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