Warning: "continue" targeting switch is equivalent to "break". Did you mean to use "continue 2"? in /home/pesquisaemdor/www/wp-includes/pomo/plural-forms.php on line 210
PROGRAMAS DE SEGUNDA OPINIÃO – UMA ALTERNATIVA PARA O GERENCIAMENTO E TRATAMENTO DA DOR LOMBAR? – Pesquisa em Dor

PROGRAMAS DE SEGUNDA OPINIÃO – UMA ALTERNATIVA PARA O GERENCIAMENTO E TRATAMENTO DA DOR LOMBAR?

outubro 31, 2018 - pesquisaemdor

No Comments

No mundo contemporâneo, enfrentamos um cenário de crise econômica global, com cortes de gastos e falta de verba nos mais diversos setores da economia, dentre eles a área da saúde. A busca por abordagens de tratamento que ofereçam melhores resultados associadas a baixos custos e menor tempo de retorno ás atividades normais e, por isso tornou-se foco de diversas pesquisas nos últimos anos, principalmente em condições clínicas que são responsáveis por altas taxas de afastamento e absenteísmo no trabalho, como a dor lombar.

Devido á influência que a sintomatologia e a incapacidade associada aos mecanismos que causam a dor lombar, esta condição já é considerada por muitos pesquisadores um problema socioeconômico característico da população atual, uma vez que é um dos maiores motivos pelos quais as pessoas procuram ajuda profissional nos dias de hoje, seja ela de médicos, fisioterapeutas, educadores físicos, psicólogos, nutricionistas, entre outros. Em países com grande parcela da população sendo economicamente ativa, estima-se que nos dias de hoje, despesas relacionadas a dores na coluna superem quaisquer gastos com demais condições que afetem a saúde do indivíduo.

Isso pode ser associado ao fato de que a dor lombar é uma condição heterogênea, ou seja, que pode se manifestar devido a diversos fatores, sejam eles mecânicos (no caso de má postura, por exemplo), químicos (caso de inflamações nas raízes nervosas, por exemplo) ou psicossociais, o que dá origem á uma variedade enorme de tratamentos possíveis para o manejo de determinados sintomas que podem ser realizados por diversos profissionais da área da saúde. No entanto, embora já haja um consenso que existem diferentes tipos de pacientes e de dores lombares, ainda não se sabe quais as abordagens mais apropriadas para tratar cada um deles.

Hoje, sabemos que o prognóstico (previsão para o curso de uma doença ou disfunção) para dor lombar na maioria dos casos é excelente, e por isso, independentemente da origem dos sintomas do paciente, ou dos fatores que contribuíram para o surgimento do quadro de dor, é necessário educar o paciente sobre a sua condição, orientando-o a respeito da criação de novos hábitos para lidar com os sintomas, bem como a importância de manter-se em movimento, fazer uso de terapias ativas e sem supervalorizar achados em exames de imagem, enfatizando que a interpretação da dor e a atitude perante a ela são importantes e influenciam positivamente nos resultados da dor lombar.

Devemos, sem dúvida, encarar a dor como uma questão de alta prioridade e buscar ajuda profissional, principalmente para excluir bandeiras vermelhas, que embora apenas cinco pessoas em 100 apresentem determinadas condições, são sinais que não podem ser ignorados – como fraturas, infecções e câncer – e precisam de maior participação da equipe médica; também devemos estar atentos à presença de bandeiras amarelas, que podem ser preditoras de um risco da dor lombar se tornar crônica devido a fatores psicossociais e precisam de uma abordagem da equipe da psicologia associada às terapias ativas.

Além disso, a incapacidade devido à dor nas costas aumentou em mais de 50% nos últimos 28 anos e a dor lombar está se tornando mais prevalente em países de renda baixa e média muito mais rapidamente do que nos países de alta renda, tornando o aperfeiçoamento da alocação de recursos disponíveis e a organização de um sistema de saúde com maior qualidade, tanto ético como eficiente, um tema de interesse geral.

Por isso, a tendência da pesquisa contemporânea que é norteada pela busca de abordagens de tratamento mais custo-efetivos para dor lombar e que pode gerar impactos positivos, tanto para os pacientes como para o sistema de saúde em geral é o estudo de programas de segunda opinião – definida como a oportunidade do paciente solicitar uma consulta com um segundo profissional da área da saúde para corroborar ou não a conduta do primeiro profissional diante de sua condição clínica -, bem como o estudo de abordagens de tratamento (conservador ou cirúrgico) mais personalizadas, com participação de equipes multiprofissionais e que incluam a educação em dor como parte do tratamento.

A hipótese é que com a conscientização dos pacientes em relação aos seus sintomas e às opções disponíveis para seu tratamento baseadas em evidências científicas, haja uma redução tanto de custos, como de tempo gasto em procedimentos que não proporcionam benefícios ao paciente e, consequentemente tornando a prática clínica em geral mais racional e ética, o que é uma vantagem para todas as vertentes da sociedade.

Referências:

Buchbinder R, van Tulder M, Öberg B, Costa LM, Woolf A, Schoene M, Croft P; Lancet Low Back Pain Series Working Group. Low back pain: a call for action. Lancet. 2018 Jun 9;391(10137):2384-2388. doi: 10.1016/S0140-6736(18)30488-4.

van de Graaf VA, Scholtes VA, Wolterbeek N, Noorduyn JC, Neeter C, van Tulder MW, Saris DB, de Gast A, Poolman RW; Escape Research Group. Cost-effectiveness of Early Surgery versus Conservative Treatment with Optional Delayed Meniscectomy for Patients over 45 years with non-obstructive meniscal tears (ESCAPE study): protocol of a randomised controlled trial. BMJ Open. 2016 Dec 21;6(12):e014381.doi: 10.1136/bmjopen-2016-014381. PubMed PMID: 28003302.

Camacho EM, Ntais D, Coventry P, Bower P, Lovell K, Chew-Graham C, Baguley C, Gask L, Dickens C, Davies LM. Long-term cost-effectiveness of collaborative care (vs usual care) for people with depression and comorbid diabetes or cardiovascular disease: a Markov model informed by the COINCIDE randomized controlled trial. BMJ Open. 2016 Oct 7;6(10):e012514. doi: 10.1136/bmjopen-2016-012514. PubMed PMID: 27855101; PubMed Central PMCID:PMC5073527.

Karvelas DA, Rundell SD, Friedly JL, Gellhorn AC, Gold LS, Comstock BA, Heagerty PJ, Bresnahan BW, Nerenz DR, Jarvik JG. Subsequent health-care utilization associated with early physical therapy for new episodes of low back pain in older adults. Spine J. 2016 Oct 17. pii: S1529-9430(16)31013-0. doi: 10.1016/j.spinee.2016.10.007. [Epub ahead of print] PubMed PMID: 27765707.

Kang JR, Sin AT, Cheung EV. Treatment of Massive Irreparable Rotator Cuff Tears: A Cost-effectiveness Analysis. Orthopedics. 2016 Sep 29:112. doi:10.3928/01477447-20160926-06. [Epub ahead of print] PubMed PMID: 27684078.

Apeldoorn AT, Bosmans JE, Ostelo RW, de Vet HC, van Tulder MW. Cost-effectiveness of a classification-based system for sub-acute and chronic low back pain. Eur Spine J. 2012 Jul;21(7):1290-300. doi: 10.1007/s00586-011-2144-4. PubMed PMID: 22258622; PubMed Central PMCID: PMC3389120.

Dagenais S, Caro J, Haldeman S. A systematic review of low back pain cost of illness studies in the United States and internationally. Spine J. 2008;8(1):8-20.

Lambeek LC, van Tulder MW, Swinkels IC, Koppes LL, Anema JR, van Mechelen W.The trend in total cost of back pain in The Netherlands in the period 2002 to 2007. Spine (Phila Pa 1976). 2011 Jun;36(13):1050-8. doi:10.1097/BRS.0b013e3181e70488. PubMed PMID: 21150697.

Martin BI, Deyo RA, Mirza SK, Turner JA, Comstock BA, Hollingworth W, et al. Expenditures and health status among adults with back and neck problems. JAMA. 2008;299(6):656-64.

Darlow B, Fullen BM, Dean S, Hurley DA, Baxter GD, Dowell A. The association between health care professional attitudes and beliefs and the attitudes and beliefs, clinical management, and outcomes of patients with low back pain: a systematic review. Eur J Pain. 2012 Jan;16(1):3-17. doi:10.1016/j.ejpain.2011.06.006. Review. PubMed PMID: 21719329.

 

Isadora Orlando de Oliveira

Fisioterapeuta aluna de doutorado do programa de Pós-graduação Stricto Sensu em Ciências da Saúde do Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa do Hospital Israelita Albert Einstein, sob orientação do Prof.Dr. Mario Ferretti Filho. Mestre em Reabilitação e Desempenho Funcional pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP-USP) e colaboradora do Instituto Wilson Mello em pesquisas relacionadas ao tratamento da dor lombar baseado no Sistema de Classificação em Subgrupos TBC.

 

 

 

 

 

pesquisaemdor

Leave a comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *