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O MEDO DO MOVIMENTO E OS NÍVEIS DE ATIVIDADE FÍSICA NA DOR LOMBAR CRÔNICA NÃO ESPECÍFICA – Pesquisa em Dor

O MEDO DO MOVIMENTO E OS NÍVEIS DE ATIVIDADE FÍSICA NA DOR LOMBAR CRÔNICA NÃO ESPECÍFICA

agosto 17, 2017 - pesquisaemdor

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Os fatores psicossociais são constantemente reportados por pacientes com dor lombar crônica (isto é, presença de dor lombar há mais de 3 meses). Dentre esses fatores se destaca o medo de movimento, componente central do conhecido modelo de fear-avoidance1. Segundo este modelo, após um episodio de dor, o paciente evita se movimentar pois acredita que o movimento irá causar dor ou recorrência da lesão. Sendo assim, o modelo de fear-avoidance sugere que pacientes com altos níveis de medo de movimento, ou com uma forte crença de que atividades físicas irão causar (ou exacerbar) uma lesão, desenvolvem mais incapacidade funcional e se tornam cada vez mais inativos fisicamente.

Nosso estudo publicado recentemente na Archives of Physical Medicine and Rehabilitation2 investigou duas hipóteses do modelo de fear-avoidance behaviour: 1) Pacientes com dor lombar que reportam ter medo de movimento possuem maior incapacidade funcional 2) Pacientes com dor lombar que reportam ter medo de movimento apresentam baixos níveis de atividade física.

 

O que fizemos?

Nós avaliamos cerca de 119 pacientes com dor lombar crônica não específica residentes na cidade de Presidente Prudente (SP). As seguintes medidas foram obtidas dos pacientes que aceitaram participar do estudo: medo de movimento (Escala de Tampa para Cinesiofobia); intensidade da dor (Escala Numérica de Dor), incapacidade (Questionário de Incapacidade de Roland Morris), atividade física (medida subjetiva por meio do Questionário de Atividade Física Habitual de Baecke e medida objetiva por meio do acelerômetro). De fato, dentre as medidas de atividade física quantificada pelo acelerômetro estão: counts per minute; tempo total de atividade gasto em intensidade moderada/vigorosa; tempo gasto em intensidade leve; e número de passos por dia.

 

O que encontramos?

Hipótese 1. Pacientes com dor lombar que reportam ter medo de movimento possuem maior incapacidade funcional

Nosso estudo encontrou uma associação negativa entre o medo de movimento e incapacidade funcional em pacientes com dor lombar crônica não especifica. Esta associação demonstra que quanto maior o medo de movimento reportado pelo paciente maior será sua incapacidade funcional. A associação encontrada esta de acordo com a teoria proposta pelo modelo de fear-avoidance.

Hipótese 2. Pacientes com dor lombar que reportam ter medo de movimento apresentam baixos níveis de atividade física

Nosso estudo não encontrou associação entre o medo de movimento e os níveis de atividade física (independente se mesurado objetivamente por meio de acelerômetro ou por questionário de auto-relato) em pacientes com dor lombar crônica. Esse achado vai de encontro com a teoria proposta pelo modelo de fear-avoidance.

 

Qual a explicação dos nossos achados?

Uma possível hipótese para os nossos achados esta relacionada com os constructos das medidas de incapacidade funcional e atividade física. Enquanto os questionários de incapacidade buscam identificar as limitações funcionais relacionada a atividades especificas da coluna, as medidas de atividade física quantificam o nível global de atividade deste paciente. Portanto, por mais que estes pacientes possam evitar movimentos relacionados a coluna, eles permanecem ativos para desempenhar suas atividades de vida diária.

Apesar da lógica associação entre medo de movimento e atividade física, as evidências até o momento para suportar o modelo de fear-avoidance são inconclusivas. Além disso, outras teorias3 têm sido propostas para explicar tal relação, contudo até o momento, não há nenhuma evidência que dê suporte a nenhuma delas.

 

Qual a implicação dos nossos achados?

No momento o grupo PeCAF (Pesquisa Clinica Aplicada a Fisioterapia) busca entender melhor esta relação entre atividade física e pacientes com dor lombar crônica não especifica. De fato, esta bem definido na literatura que a inatividade física se trata de um fator de risco modificável para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares. Tendo em vista que as doenças cardiovasculares possuem altas taxas de prevalência em pacientes com dor crônica musculoesquelética4, a ocorrência concomitante destas duas condições gera efeitos drásticos no bem-estar geral desses pacientes. Portanto, baseado neste e em outros estudos do grupo PeCAF5,6, estamos investigando como aumentar os níveis de atividade física de pacientes com dor lombar crônica não especifica.

 Referências:

  1. Vlaeyen JW, Linton SJ. Fear-avoidance and its consequences in chronic musculoskeletal pain: a state of the art. Pain 2000;85:317-32.
  2. Carvalho et al. Fear of Movement Is Not Associated With Objective and Subjective Physical Activity Levels in Chronic Nonspecific Low Back Pain. Arch Phys Med Rehabil 2017;98:96-104
  3. Hasenbring MI, Verbunt JA. Fear-avoidance and endurance-related responses to pain: new models of behavior and their consequences for clinical practice. Clin J Pain 2010;26:747-53.
  4. Ryan CG, McDonough S, Kirwan JP, Leveille S, Martin DJ. An investigation of association between chronic musculoskeletal pain and cardiovascular disease in the Health Survey for England (2008). Eur J Pain. 2014;18:740-50.
  5. Pinto RZ, Ferreira PH, Kongsted A, Ferreira ML, Maher CG, Kent P. Self-reported moderate-to-vigorous leisure time physical activity predicts less pain and disability over 12 months in chronic and persistent low back pain. Eur J Pain 2014;18(8):1190-8
  6. Oliveira, C.B., Franco, M.R., Maher, C.G., Christine Lin, C.W., Morelhão, P.K., Araújo, A.C., Negrão Filho, R.F., Pinto, R.Z. Physical activity interventions for increasing objectively measured physical activity levels in chronic musculoskeletal pain: systematic review. Arthritis Care Res (Hoboken) 2016;68(12):1832-42.

 

Crystian Bitencourt

Graduado em Fisioterapia pela Faculdade de Ciência e Tecnologia/UNESP – Presidente Prudente. Crystian realizou o mestrado em fisioterapia na Faculdade de Ciência e Tecnologia/UNESP no ano de 2016. Atualmente, Crystian é doutorando pela Faculdade de Ciência e Tecnologia/UNESP na área de concentração “Avaliação e Intervenção em Fisioterapia”. Atua principalmente nas áreas de Ortopedia e Traumatologia com enfoque em: atividade física; dor crônica musculoesquelética; dor lombar; e coluna vertebral.

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